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A VERDADE SOBRE A RENÚNCIA DE ANTÔNIO SILVA EM VARGINHA

O ex-prefeito Antônio Silva: a verdade sobre a renúncia

ANDRÉ LUIS FONTES
Varginha

O ex-prefeito de Varginha, Antônio Silva, divulgou na tarde de hoje uma nota sobre os motivos que o levaram a renunciar ao cargo de prefeito. Leia abaixo:
"A VERDADE SOBRE A RENÚNCIA
Tenho profundo respeito por minhas amigas e amigos. Há momentos na nossa vida que somos obrigados a tomar decisões difíceis e, algumas delas, exigem, de quem as toma, coragem, desprendimento e humildade. 
Na última segunda-feira, 06/04/2020, enviei à Câmara Municipal comunicação informando-lhe minha decisão de renunciar ao cargo de Prefeito.
Não o fiz por covardia e muito menos por falta de disposição para o trabalho. Agradeço a Deus por me ter permitido trabalhar por 60 anos consecutivos nesta cidade, sem nenhum afastamento por doença ou por acidente. Fui empregado, funcionário da Receita Federal, empresário, advogado e estava cumprindo, até aqui, o meu quarto mandato de Prefeito, função que exerci por mais de 15 anos, com dedicação, sem escândalos e sem corrupção, o que não é mérito, é dever.
Contudo, completei, em fevereiro, 78 anos de idade, surpreendido por essa psicose chamada pandemia do corona vírus, onde, 24 horas por dia, a mídia diz que nós, idosos, somos o seu alvo favorito, o que nos sugere o novel "isolamento social". Diante de um cenário de incertezas e contradições, não apenas entre profissionais da saúde, mas também nos meios políticos, a gestão pública se tornou algo surreal. A questão do fechamento do comércio, por iniciativa do Governador do Estado e apoiado pela Comissão de Prevenção da Secretaria Municipal de Saúde, auto intitulada Comitê Gestor, transformou-se em polêmica política, colocando-me num fogo cruzado entre os que pleiteavam a reabertura e os que eram contrários.  Decidi por uma abertura gradual, limitada e controlada, isso na sexta feira, dia 03/04, o que desencadeou uma reação de setores da Saúde que desaguou no Ministério Público recomendando a imediata revogação da autorização de abertura. Percebi, então, que a partir da abertura, toda a evolução da epidemia e eventuais mortes dela decorrentes seriam debitadas na minha conta como Prefeito e, por outro lado, revogando o Decreto, como fui obrigado a fazê-lo, as dificuldades dos comerciantes impedidos de trabalhar e o desemprego resultante seriam por minha culpa. Na verdade, quando lhe tiram a autoridade, deveriam levar também a responsabilidade, mas isso não acontece, pois o cidaďão mora aqui e sabe onde mora o Prefeito, mas não sabe onde mora o Governador ou as autoridades que deliberam conforme seu entendimento, alguns arvorando-se em donos da verdade. Juntando tudo isso às limitações que estão sendo impostas pela minha idade, entendi que era chegado o momento de antecipar a minha saída da Prefeitura, com a tranquilidade de saber que, com o Verdi no comando, a cidade está em boas mãos. Só tenho palavras de agradecimento."