LAVRAS: RECONHECIDA NACIONALMENTE COMO A "MULHER DA CACHAÇA", PROFESSORA DA UFLA ABRE NOVO CAPÍTULO PARA A BEBIDA SÍMBOLO DO BRASIL
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| A pesquisadora Maria das Graças Cardoso, da UFLA: reconhecimento nacional (Foto: André Luis Fontes) |
Pouca gente sabe, mas foi em Lavras que a história da cachaça deu sua maior virada científica. A pesquisadora Maria das Graças Cardoso, professora da Universidade Federal de Lavras (UFLA), dedicou mais de 25 anos à missão de qualificar e proteger a bebida, enfrentando resistência em um setor historicamente masculino e marcado por irregularidades técnicas. Reconhecida nacionalmente como a "Mulher da Cachaça", ela e sua equipe descobriram a origem do carbamato de etila, contaminante carcinogênico que impedia exportações. Após mais de uma década de pesquisa, identificaram que o precursor do contaminante estava no ponteiro da cana — e bastava removê-lo para solucionar o problema. A descoberta abriu caminho para segurança, qualidade e expansão internacional.
Além disso, a professora liderou orientações técnicas para controle de metanol e parâmetros de destilação — filtragem do caldo e separação das frações (cabeça, coração e cauda), hoje referência nacional. Agora, ela se prepara para o passo mais ousado: a certificação oficial pelo Inmetro, que permitirá emitir laudos reconhecidos internacionalmente e deve transformar a cadeia produtiva brasileira. "A certificação vai agregar valor real à cachaça brasileira e fortalecer o produtor. Estamos prontos para esse novo salto", afirma. A pesquisadora coordena o CRAQC – Centro de Referência em Análises da Qualidade da Cachaça da UFLA, um dos mais completos do país, equipado com cromatógrafos, espectrômetros, área de destilação e anfiteatro. O Centro já analisou mais de 400 amostras somente em 2024, vindas de diversos estados do Brasil. A consolidação do CRAQC só foi possível graças ao investimento institucional e ao apoio da FAPEMIG, das Políticas Públicas e da FUNDECC, responsável pela gestão administrativa e financeira. "Se não fosse a FUNDECC e sua gestão atual, não teríamos chegado até aqui", destaca.
