LAVRAS: EM MEIO À EXPECTATIVA COM AS VENDAS DE NATAL, EMPRESÁRIOS RELATAM DIFICULDADES COM A CONCORRÊNCIA DA INTERNET
![]() |
| Lojas físicas ou lojas virtuais: disputa pelo consumidor e condições desiguais (Foto: André Luis Fontes) |
Com a expansão acelerada das compras online, empresários de Lavras têm enfrentado uma batalha diária para manter seus estabelecimentos funcionando. Na cidade a queixa é praticamente unânime: a competitividade dos preços na internet e os altos custos fixos do comércio físico têm pressionado o setor. O dono de uma loja de roupas, afirma que o maior obstáculo é o custo operacional: "Pago aluguel, impostos, água, luz e ainda tenho funcionários fixos. Isso pesa no preço final. Às vezes o cliente não entende por que uma camiseta custa mais aqui, mas são custos que uma loja virtual não tem", explicou. Outra comerciante, do setor de calçados, relata queda nas vendas desde 2023. "Fornecedores repassam aumentos e o cliente compara diretamente com a internet. A margem fica apertada. Temos que concorrer com sites que vendem quase pelo preço que eu compro do distribuidor", comentou. O proprietário de uma loja de eletrônicos no centro de Lavras cita a mudança no comportamento do consumidor.
"O cliente vem aqui, olha o produto e depois compra pela internet mais barato. A loja física virou vitrine gratuita para o e-commerce", lamenta. Uma lojista da Rua Francisco Sales destaca a burocracia como grande barreira.
"Enquanto no online o vendedor abre uma página e vende, nós precisamos lidar com alvarás, taxas municipais e estoque físico. É desleal", criticou. Para os comerciantes, manter uma loja física significa lidar com uma série de gastos obrigatórios, como funcionário registrado, encargos trabalhistas, contabilidade, aluguel e tributos municipais e estaduais. Na cidade, o valor de um tênis que custa 150 reais na internet chega a ser encontrado por até 350 reais em lojas físicas, diferença que gera reclamações e comparações constantes entre consumidores. O consumidor J. A. afirmou ao Blog que continua preferindo comprar no comércio local. "Eu gosto de ver o produto na mão, experimentar, conversar com o vendedor. Às vezes dá para negociar o preço ou parcelar de um jeito que facilita. A internet não oferece isso", disse. Já F. R., moradora do bairro Jardim Glória, admite que opta quase sempre por compras online. "Na internet eu encontro mais variedade e preços bem mais em conta." Para reduzir os impactos, alguns lojistas têm investido em redes sociais, atendimento personalizado e até delivery local. Apesar das dificuldades, os empresários acreditam que o comércio tradicional ainda terá seu espaço, desde que consiga se adaptar ao novo perfil do consumidor, e equilibrar experiência presencial com estratégias digitais.
