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LAVRAS - POR QUE OS SUPERMERCADOS ESTÃO DESESPERADOS?

Supermercado: muitas vagas, poucos interessados (Foto: André Luis Fontes)

Durante décadas, conseguir um emprego em supermercado era quase garantia para quem buscava o primeiro trabalho. Hoje, a realidade se inverteu. Os supermercados estão atrás dos trabalhadores, e não o contrário. No Brasil, o setor supermercadista movimenta cerca de R$ 1 trilhão por ano, responde por uma parcela significativa da economia nacional e, mesmo assim, enfrenta uma crise sem precedentes: mais de 350 mil vagas permanecem abertas, sem candidatos suficientes para preenchê-las. E Lavras não está fora dessa realidade. Basta acompanhar as redes sociais das empresas e os sites de empregos para perceber um desfile permanente de anúncios buscando operadores de caixa, repositores, conferentes, auxiliares, açougueiros e fiscais de loja. Muitas vagas permanecem abertas por semanas ou meses. 

O QUE MUDOU?

A resposta é simples, embora incômoda. Os jovens de hoje já não enxergam o supermercado como uma carreira atraente.Entre os principais motivos estão:
salários considerados baixos; trabalho pesado e intenso; finais de semana e feriados trabalhados; escalas que dificultam a vida social; busca por empregos com maior flexibilidade; crescimento das plataformas digitais e dos trabalhos por aplicativo. Em outras palavras, muitos preferem dirigir para aplicativos, vender pela internet ou trabalhar como autônomos a enfrentar a rotina exigente do varejo alimentar. 

A REALIDADE EM LAVRAS

Em Lavras, a situação fica ainda mais evidente. A cidade vive um mercado de trabalho relativamente aquecido, com oportunidades também na indústria, universidades, logística, comércio e prestação de serviços. Isso amplia as opções para quem procura emprego e aumenta a concorrência pela mão de obra.  Enquanto isso, supermercados e atacarejos precisam disputar trabalhadores oferecendo benefícios, treinamentos e possibilidades de crescimento. Mesmo assim, preencher determinadas funções continua sendo um enorme desafio. Um problema que pode chegar ao consumidor. A falta de funcionários não afeta apenas os empresários. Ela pode provocar filas maiores nos caixas; demora na reposição de produtos; dificuldades no atendimento; aumento dos custos operacionais; necessidade crescente de automação. É por isso que várias redes passaram a investir em caixas de autoatendimento e outras tecnologias para reduzir a dependência de mão de obra. Os supermercados não estão desesperados porque faltam clientes. Pelo contrário. O setor continua crescendo, faturando cifras bilionárias e expandindo suas lojas. O verdadeiro problema é encontrar pessoas dispostas a trabalhar. Se antes centenas disputavam uma vaga de repositor ou operador de caixa, hoje são os supermercados que disputam cada trabalhador disponível. E essa transformação, que já é uma realidade em todo o Brasil, também pode ser observada em Lavras. A grande pergunta agora não é se haverá empregos. É quem estará disposto a ocupá-los.